Em busca da simetria perdida...

Quando tenho tempo gosto muito de pensar, a minha mente vem idéias que para mim fazem sentido. Por exemplo, quem somos? Qual o nosso valor? Sou melhor que meu próximo? Tenho mais valor de fato? Para mim todos esses conceitos são relativos, ja dizia Einstein, tudo é relativo, a começar por quem está me avaliando. Posso significar muito para uma pessoa e pouco ou nada para outra. Esse valor pode ser dado por relacionamentos, valores em comum, conhecimento mútuo. Pode se dar o caso também de alguém não me dar valor algum pela própria incapacidade de avaliar o meu valor, ou vice versa. O que importa de fato, acho, quando se trata de relacionamentos é o equilíbrio e a simetria.
Imagino um relacionamento como uma gangorra e para que esse relacionamento seja bem sucedido, para que a "brincadeira" tenha graça precisa haver equilíbrio entre os dois, se não a brincadeira da gangorra vai ficar totalmente prejudicada. Quantas vezes brincamos de gangorra com uma criança, e nós controlávamos o subir e descer de acordo com a nossa vontade, a criança nada podia fazer a não ser se segurar e tentar curtir a diversão mas sem nenhum contrôle sobre ela. O mesmo acontece quando há um desequilibrio de peso entre os participantes, o que faz da brincadeira algo que finalmente não satisfaz um ou nehum dos dois.
Nós somos seres simetricos, nosso corpo é simetrico, precisamos de equilibrio em todos os aspectos de nossa vida. Na arte há muitas manifestações da simetria, um dos mais belos e significativos é o Taj Mahal, magnífica construção em mármore branco, uma imponente estrutura que nos fala de uma história de amor e simetria.
Era uma vez um príncipe chamado Kurram que se enamorou perdidamente por uma princesa quando tinha 15 anos de idade, o amor não pode ser concretizado senão 5 anos depois, tempo durante o qual não puderam se ver uma única vez, somente reencontrando-se na cerimônia de casamento. No entanto Mumtaz Mahal como havia sido batizada, cujo nome significava "A eleita do palácio" não reinou durante muito tempo, morreu aos aos 39 anos de idade ao dar à luz o 14º filho a Shah Jahan o nome que havia sido dado a Kurram e que significava "O Rei do mundo".
Shah Jahan ficou muito triste, inconsolável, chorou a morte da rainha durante 2 anos, período durante o qual não houve festa alguma no reino. Shah Jahan ordenou então que fosse construído um monumento sem igual, em homenagem da sua amada para que o mundo jamais a pudesse esquecer, assim surgiu o Tal Mahal. Construção perfeitamente simétrica, uma das 7 maravilhas do mundo, práticamente todos já viram sua imagem e se maravilharam com sua beleza. Diz a lenda que Shah Jahan queria construir também o seu próprio mausoléu, ele estaria do outro lado do rio, em mármore preto e estaria unido com o Taj Mahal mediante uma ponte de ouro. Isto nunca foi levado a cabo, mas foi descoberto um segredo. Num lugar especial do jardim, pode ver-se refletida à luz do luar a imagem em preto do Taj Mahal num espelho de água, tão magnifica quanto a do original, complementando virtualmente a simetria perfeita, símbolo do perfeito amor. Ambos, Mumtaz Mahal e Shah Jahan repusam no mausoleu.
Sempre estamos à procura de equilíbrio, simetria de uma forma consciente ou inconsciente, quer seja na beleza de um rosto, numa obra de arte, no design de um carro ou outro objeto, assim como o Taj Mahal pode ser considerado uma metáfora de um relacionamento belo e simétrico. Também nós podemos projetar e construir nosso prório Taj Mahal, não importando nossa cultura, conhecimento, formação, classe social, raça, etc. Baseando-nos no amor verdadeiro e valorizando essencialmente a simetria em primeiro lugar do nosso caráter que se refletira na simetria e harmonia do nosso relacionamento.
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