E eu pensava que sabia como ser pai

Me tornei pai sem estar preparado para isso, mas com toda dedicação resolvi fazer o meu melhor. De uma forma empírica fui tentando conduzir e orientar duas mentes puras, ávidas por amor e conhecimento, as amei, tentei conduzi-las de acordo com minha experiência e pensei que havia alcançado êxito na minha empreitada.

Rebeldia, falta de comprensão, mediar conflitos e outras tantas coisas que acontecem durante a educação para mim não representavam maiores dificuldades, sempre lidei com adolescentes e jovens e me sentia preparado para isso, gosto de me manter informado sobre os mais diversos assuntos e claro sobre o tema educação e paternidade.

Muitas vezes acertei, outras tantas errei porque como sempre a teoria é bem diferente da realidade, sempre tentei conversar com meus filhos, assim como converso com os outros jovens com os quais eu tenho contato, sempre procurei ficar atento para não me exceder, o que é uma tarefa difícil. Lidar com poder e autoridade não é simples e muito mais se se trata de formar vidas onde qualquer excesso ou falta pode ter consequências eternas.

Autoridade é uma linha ténue que muitas vezes é difícil definir onde está, até onde vai. Definir limítes, até onde ir, o que permitir, perceber que os filhos vão crescendo, que a mente deles muda a cada dia e que você precisa estar numa adaptação constante. Perceber que eles já não aceitam muitos dos valores que se lhes ensinaram, que desejam e precisam viver a sua vida.

Essa fase angustiante onde você percebe que eles começam a sair do âmbito de sua influência, onde você pode protege-los, dando-lhes orientação e cuidados. Muitas vezes você os vê errando e seus conselhos e palavras de nada valem. Momentos onde apenas o amor funciona, se não de uma forma evidente muitas vezes, mas é o único que nessas ocasiões podemos fazer. Amar, orientar, aconselhar e principalmente interceder por eles. A Bíblia fala que Jó intercedia por todos os seus filhos diariamente pelas madrugadas (Jó 1.5). Interceder e confiar nas promessas feitas por Deus.

É difícil perceber como queremos controlar tudo, isso nos deixa confortáveis, com a certeza de que as coisas estão bem. Muitas vezes quando as coisas vão mal e começam a fugir de nosso contrôle nos desesperamos e não estamos preparados para essa nova realidade. Eu diria que é o segundo parto, que para ser bem sucedido teria que ter uma boa gestação, período esse que vai desde o nascimento até a "independência" dos filhos. É um processo muito dolorido e dele não participa apenas a mãe, é um trabalho de parto conjunto muitas vezes trabalhoso, demorado e nem sempre bem sucedido.

Precisamos aprender isso, estar preparados para ser pais de verdade em qualquer circunstância, quando as coisas estão sob contrôle e quando as coisas fogem da nossa esfera de influência. Ter sabedoria, amor e dedicação e saber lidar com o desconhecido que é essa viagem da paternidade.




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Comentários

  1. Anônimo6:16 PM

    E ao meu ver seu pensamento sempre esteve certo.
    Pai igual a vc é tudo que um filho e filha precisa.

    Forte abraço.

    Hta

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