Uma nova realidade
O jeito de viver mudou definitivamente com a nova realidade das telecomunicações, os telefones celulares com todos os seus recursos que inclusive permitem mandar e receber mensagens via internet nos dão a possibilidade de entrar em contato com um universo de pessoas e realizar tarefas que sem esses recursos seriam impensáveis. Fico pensando que se eu há alguns anos pudesse vislumbrar o futuro não conseguiria entender como hoje através de um teclado e alguns cliques do mouse poderia pesquisar preços, adquir o que quisesse, desde um alfinete a uma casa, um carro, ou mesmo fazer compras de supermercado e tudo isso, passando no monitor como num passe de mágica.
Não tem um aspecto de nossa vida que fique isento da influência digital que avança de uma forma irreversível transformando tudo o que ela toca. A vida já não se vive da mesma forma que era vivida antes do surgimento da internet. Como consequencia os relacionamentos pessoais tambem mudaram de uma forma significativa. Crianças, adolescentes e jovens se adaptam às mudanças rápidamente, mas a medida que os anos passam a adaptação a novas realidades se torna mais difícil. Essa revolução tecnologica provocou uma divisão clara entre os Nativos do planeta internet e os extrangeiros residentes, e por mais que os extrangeiros se esforcem em falar fluentemente sempre fica aquele sotaque, mesmo que sutíl como é o meu caso. Acostumar-se e adaptar-se a essa avalanche de novidades não é tarefa fácil para nós os estrangeiros pois a cada dia aparecem novidades o que é uma realidade hoje pode mudar radicalmente com o surgimento de novas tecnologias, novas versões de programas ou mesmo novidades na aplicação de toda essa tecnologia.
A nossa nacionalidade está gravada até nos ossos, cientistas descobriram que pode ser identificada a origem de nascimento de qualquer individuo fazendo a análise da quantidade de estrôncio. Ao formar-se o esmalte dos dentes, estes retêm oxígeno e isótopos de estrôncio do entorno, formando uma especie de ‘marca digital’ meioambiental. Portanto não posso negar minha origem, minhas raizes, quem sou e de onde vim. Sou chileno e apesar de me esforçar por falar corretamente o português e mesmo que para muitas pessoas possa passar quase despercebido meu sotaque, sempre escapa algúm detalhe na pronunciação de alguma palavra que me delata como estrangeiro.
Toda a geração que veio a partir de 1990 já pode ser considerada como "nativa" no mundo da internet, eles nasceram em meio a bits e bytes não conhecendo outra realidade. Para quem viveu numa época onde as cartas e telegramas dominavam a comunicação a distância, o e-mail é uma maravilha basta apertar um botão e quase instantaneamente a mensagem é recebida pelo destinatário não importando o lugar do mundo em que se encontre. Que dizer então de programas que possibilitam não apenas enviar mensagens mas tambem ver e falar com pessoas quer seja na mesma casa, cidade ou mesmo num país do outro lado do mundo.
Sempre gostei de estar antenado nas coisas que estão acontecendo, meu contato com o mundo digital começou no inicio da década de 80, eu vislumbrava a importância do que se avizinhava, e tentava estar atualizado lendo publicações especializadas.
Como qualquer novidade tecnológica o preço de qualquer computador era muito alto, ainda mais para minha realidade, como não tinha possibilidades de comprar um participei de um concurso de pintura numa revista cujo premio era um CP 200 da Prologica, venci o concurso e acabei ganhando meu primeiro microcomputador. O teclado e a unidade central eram montadas em um gabinete de plástico cinza-escuro. Todos os componentes eletrônicos eram montados numa placa de circuito imperssa, tinha um microprocessador de 8 bits, o relógio operava à freqüência de 3,25 MHz, o sistema operacional básico e o interpretador BASIC residente, a memória RAM de 16 kbytes não podia ser expandida internamente. Parte dessa memória era utilizada para mapear o vídeo e criar áreas e apontadores de trabalho para o BASIC, restando cerca de 14 kbytes para programas e dados do usuário. Na placa-mãe estavam montados ainda todos os circuitos de controle e interfaceamento para o vídeo que era um aparelho de TV, o teclado, o gerador de sons, um gravador cassete onde eram lidas as informações gravadas numa fita, ou podiam ser digitadas linha a linha de programas publicados em revistas especializadas que era o que eu fazia para poder jogar, era realmente emocionante.
Anos depois a microinformática tinha se tornado bem mais popular. Nessa época trabalhava num estúdio de artes e por exigência da editora para a qual trabalhávamos o dono teve que adquirir um microcomputador. Quando o aparelho chegou fiquei fascinado, o rapaz da loja instalou o micro e se foi. Depois eu apertei o botão power, esperando que o micro funcionasse mas para meu desespero ficou uma tela preta com um C:/> piscando e eu não sabia o que fazer, tentei ligar de novo, mas nada, pensei que talvez tivesse feito algo de errado e preocupado liguei para a minha mulher que trabalhava numa repartição pública e ali por informações de alguém me fez conheces a palvra mágica: Ela disse digita “win” ai ele vai funcionar. Dito e feito digitei a tal palavrinha e um mundo de cores invadiu o micro carregando o maravilhoso “Windows 3.1”.
Depois por meio de um amigo analista de sistemas tive o meu primeiro contato com a internet, ele já era usuário de BBS ele foi um dos primeiros usuários da internet comercial que aqui no brasil começou em 1995 por iniciativa do Ministério das Telecomunicações e do Ministério da Ciência e Tecnologia, abrindo assim para o setor privado a exploração da Internet. Ele entrou num chat onde haviam muitas pessoas e claro, todas comunicando-se em inglês. Por meio dele também conheci os prineiros jogos e programas além de ter acesso à versão beta do windows 95.
Naquele tempo as salas de chat estavam vazias e programas como ICQ que foi um dos precursores dos atuais “messengers” como o MSN, Yahoo messenger e muitos outros, quase não tinham usuários assim motivo pelo qual não eram muito usados.
De olho nessa tecnologia e não querendo deixar meus filhos fora dessa realidade comprei meu primeiro computador doméstico, foi um possante Pentium 100 com drive de CD-Rom, recurso que havia sido lançado recentemente, compramos o micro numa feira de informática à qual fomos com os meninos e na época representou uma pequena fortuna. Quando o micro chegou em casa foi uma festa, meu filho pulava de alegria, no dia a dia ele foi aprendendo comigo o beaba dos computadores, fazíamos páginas de internet escrevendo o código no bloco de notas pois não existiam os programas para edição de páginas de internet que hoje conhecemos.
Para mim a internet foi muito importante pois mediante ela tinha notícias do meu país de forma diária, antigamente tinha que ir até o consulado para poder ler algum jornal que estivesse disponível e que nem sempre era muito atual. Por meio da internet podia ter acesso às noticias, páginas que falavam do chile e também manter contato de compatriotas tão carentes como eu de contato com suas raízes. Nessa época na rede de chat Dalnet fundei alguns canais para encontro de chilenos, fizemos muitas amizades e a descoberta desse meio da contato era uma alegria enorme para muitos.
(continua)
Não tem um aspecto de nossa vida que fique isento da influência digital que avança de uma forma irreversível transformando tudo o que ela toca. A vida já não se vive da mesma forma que era vivida antes do surgimento da internet. Como consequencia os relacionamentos pessoais tambem mudaram de uma forma significativa. Crianças, adolescentes e jovens se adaptam às mudanças rápidamente, mas a medida que os anos passam a adaptação a novas realidades se torna mais difícil. Essa revolução tecnologica provocou uma divisão clara entre os Nativos do planeta internet e os extrangeiros residentes, e por mais que os extrangeiros se esforcem em falar fluentemente sempre fica aquele sotaque, mesmo que sutíl como é o meu caso. Acostumar-se e adaptar-se a essa avalanche de novidades não é tarefa fácil para nós os estrangeiros pois a cada dia aparecem novidades o que é uma realidade hoje pode mudar radicalmente com o surgimento de novas tecnologias, novas versões de programas ou mesmo novidades na aplicação de toda essa tecnologia.
A nossa nacionalidade está gravada até nos ossos, cientistas descobriram que pode ser identificada a origem de nascimento de qualquer individuo fazendo a análise da quantidade de estrôncio. Ao formar-se o esmalte dos dentes, estes retêm oxígeno e isótopos de estrôncio do entorno, formando uma especie de ‘marca digital’ meioambiental. Portanto não posso negar minha origem, minhas raizes, quem sou e de onde vim. Sou chileno e apesar de me esforçar por falar corretamente o português e mesmo que para muitas pessoas possa passar quase despercebido meu sotaque, sempre escapa algúm detalhe na pronunciação de alguma palavra que me delata como estrangeiro.
Toda a geração que veio a partir de 1990 já pode ser considerada como "nativa" no mundo da internet, eles nasceram em meio a bits e bytes não conhecendo outra realidade. Para quem viveu numa época onde as cartas e telegramas dominavam a comunicação a distância, o e-mail é uma maravilha basta apertar um botão e quase instantaneamente a mensagem é recebida pelo destinatário não importando o lugar do mundo em que se encontre. Que dizer então de programas que possibilitam não apenas enviar mensagens mas tambem ver e falar com pessoas quer seja na mesma casa, cidade ou mesmo num país do outro lado do mundo.
Sempre gostei de estar antenado nas coisas que estão acontecendo, meu contato com o mundo digital começou no inicio da década de 80, eu vislumbrava a importância do que se avizinhava, e tentava estar atualizado lendo publicações especializadas.
Como qualquer novidade tecnológica o preço de qualquer computador era muito alto, ainda mais para minha realidade, como não tinha possibilidades de comprar um participei de um concurso de pintura numa revista cujo premio era um CP 200 da Prologica, venci o concurso e acabei ganhando meu primeiro microcomputador. O teclado e a unidade central eram montadas em um gabinete de plástico cinza-escuro. Todos os componentes eletrônicos eram montados numa placa de circuito imperssa, tinha um microprocessador de 8 bits, o relógio operava à freqüência de 3,25 MHz, o sistema operacional básico e o interpretador BASIC residente, a memória RAM de 16 kbytes não podia ser expandida internamente. Parte dessa memória era utilizada para mapear o vídeo e criar áreas e apontadores de trabalho para o BASIC, restando cerca de 14 kbytes para programas e dados do usuário. Na placa-mãe estavam montados ainda todos os circuitos de controle e interfaceamento para o vídeo que era um aparelho de TV, o teclado, o gerador de sons, um gravador cassete onde eram lidas as informações gravadas numa fita, ou podiam ser digitadas linha a linha de programas publicados em revistas especializadas que era o que eu fazia para poder jogar, era realmente emocionante.
Anos depois a microinformática tinha se tornado bem mais popular. Nessa época trabalhava num estúdio de artes e por exigência da editora para a qual trabalhávamos o dono teve que adquirir um microcomputador. Quando o aparelho chegou fiquei fascinado, o rapaz da loja instalou o micro e se foi. Depois eu apertei o botão power, esperando que o micro funcionasse mas para meu desespero ficou uma tela preta com um C:/> piscando e eu não sabia o que fazer, tentei ligar de novo, mas nada, pensei que talvez tivesse feito algo de errado e preocupado liguei para a minha mulher que trabalhava numa repartição pública e ali por informações de alguém me fez conheces a palvra mágica: Ela disse digita “win” ai ele vai funcionar. Dito e feito digitei a tal palavrinha e um mundo de cores invadiu o micro carregando o maravilhoso “Windows 3.1”.
Depois por meio de um amigo analista de sistemas tive o meu primeiro contato com a internet, ele já era usuário de BBS ele foi um dos primeiros usuários da internet comercial que aqui no brasil começou em 1995 por iniciativa do Ministério das Telecomunicações e do Ministério da Ciência e Tecnologia, abrindo assim para o setor privado a exploração da Internet. Ele entrou num chat onde haviam muitas pessoas e claro, todas comunicando-se em inglês. Por meio dele também conheci os prineiros jogos e programas além de ter acesso à versão beta do windows 95.
Naquele tempo as salas de chat estavam vazias e programas como ICQ que foi um dos precursores dos atuais “messengers” como o MSN, Yahoo messenger e muitos outros, quase não tinham usuários assim motivo pelo qual não eram muito usados.
De olho nessa tecnologia e não querendo deixar meus filhos fora dessa realidade comprei meu primeiro computador doméstico, foi um possante Pentium 100 com drive de CD-Rom, recurso que havia sido lançado recentemente, compramos o micro numa feira de informática à qual fomos com os meninos e na época representou uma pequena fortuna. Quando o micro chegou em casa foi uma festa, meu filho pulava de alegria, no dia a dia ele foi aprendendo comigo o beaba dos computadores, fazíamos páginas de internet escrevendo o código no bloco de notas pois não existiam os programas para edição de páginas de internet que hoje conhecemos.
Para mim a internet foi muito importante pois mediante ela tinha notícias do meu país de forma diária, antigamente tinha que ir até o consulado para poder ler algum jornal que estivesse disponível e que nem sempre era muito atual. Por meio da internet podia ter acesso às noticias, páginas que falavam do chile e também manter contato de compatriotas tão carentes como eu de contato com suas raízes. Nessa época na rede de chat Dalnet fundei alguns canais para encontro de chilenos, fizemos muitas amizades e a descoberta desse meio da contato era uma alegria enorme para muitos.
(continua)
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