Cenas de Morte 4
Depois de sofrer com as consequências do câncer durante pouco mais de dois anos, ela descansou. Muita tristeza invade os meus sentimentos e mesmo com esse estado de espirito, a gente tem que enfrentar certas convenções legais e processuais, mesmo contra a nossa vontade.
O velório ocorreu no cemitério da vila Alpina, sala B, as coroas foram chegando, as pessoas também. Ela era muito querida, muitas pessoas choravam, sentindo a perda e já antecipando a saudade. Ela morreu jovem, acabara de completar 55 anos, dos quais 36 anos passamos juntos.
Muitos me cumprimentavam, alguns mais emocionados que outros, algumas pessoas mais próximas tentavam me amparar. Mas, morte é algo que você tem que digerir sozinho.
Eu observava tudo, as rotinas dos profissionais da morte eram desempenhadas como mais uma tarefa do seu dia. As pessoas que traziam as coroas, os que montavam toda a infra estrutura para receber o caixão, os que traziam o caixão, enfim... Imaginei quantas pessoas já se reuniram e se reunirão nessa mesma sala para realizar cerimonias semelhantes, isso todos os dias. Quantas lágrimas derramadas, quanta dor, tristeza, desespero aquelas paredes já presenciaram.
Após os pastores realizarem a cerimonia, veio o carrinho para conduzir o caixão até a sepultura, o sol estava forte. Quando chegou ao seu destino, os encarregados de enterrar o caixão começaram seu trabalho. O espaço cavado era pouco profundo, acredito eu que finalmente no máximo 50 cm de terra cobriram o caixão. Ao redor outras valas já estavam prontas para receber ovos corpos numa rotina que nunca acaba. Ao lado dela já estava sepultado um torcedor do Corinthians. Aliás, vi várias sepulturas de torcedores, ai pensei, no que caracteriza a vida das pessoas, certamente no meu túmulo, nenhum time de futebol estará presente.
A morte choca tanto, mas normalmente não percebemos que a cada dia estamos morrendo, de uma forma lenta, mas continua e inevitável.
Enquanto os dois homens iam cobrindo de terra o caixão, eu via misturados com a terra restos de outros funerais, como uma meia feminina, pedaços de outros caixões em desintegração, imaginei como nem mesmo nessa hora existe dignidade nem repouso até Cristo voltar, haja vista que depois de um período os restos mortais devem ser retirados do local para preparar o espaço para receber outros mortos. É uma verdadeira "industria da morte" onde tem processos, pessoas e produtos que compõem este mercado que explora a dor humana, muitas vezes sem oferecer sequer a dignidade que o momento carece.
Para mim, isto devia ser responsabilidade do governo, sem custos para o cidadão, assim como saúde e educação, afinal, pagamos impostos durante toda a nossa vida.
O velório ocorreu no cemitério da vila Alpina, sala B, as coroas foram chegando, as pessoas também. Ela era muito querida, muitas pessoas choravam, sentindo a perda e já antecipando a saudade. Ela morreu jovem, acabara de completar 55 anos, dos quais 36 anos passamos juntos.
Muitos me cumprimentavam, alguns mais emocionados que outros, algumas pessoas mais próximas tentavam me amparar. Mas, morte é algo que você tem que digerir sozinho.
Eu observava tudo, as rotinas dos profissionais da morte eram desempenhadas como mais uma tarefa do seu dia. As pessoas que traziam as coroas, os que montavam toda a infra estrutura para receber o caixão, os que traziam o caixão, enfim... Imaginei quantas pessoas já se reuniram e se reunirão nessa mesma sala para realizar cerimonias semelhantes, isso todos os dias. Quantas lágrimas derramadas, quanta dor, tristeza, desespero aquelas paredes já presenciaram.
Após os pastores realizarem a cerimonia, veio o carrinho para conduzir o caixão até a sepultura, o sol estava forte. Quando chegou ao seu destino, os encarregados de enterrar o caixão começaram seu trabalho. O espaço cavado era pouco profundo, acredito eu que finalmente no máximo 50 cm de terra cobriram o caixão. Ao redor outras valas já estavam prontas para receber ovos corpos numa rotina que nunca acaba. Ao lado dela já estava sepultado um torcedor do Corinthians. Aliás, vi várias sepulturas de torcedores, ai pensei, no que caracteriza a vida das pessoas, certamente no meu túmulo, nenhum time de futebol estará presente.
A morte choca tanto, mas normalmente não percebemos que a cada dia estamos morrendo, de uma forma lenta, mas continua e inevitável.
Enquanto os dois homens iam cobrindo de terra o caixão, eu via misturados com a terra restos de outros funerais, como uma meia feminina, pedaços de outros caixões em desintegração, imaginei como nem mesmo nessa hora existe dignidade nem repouso até Cristo voltar, haja vista que depois de um período os restos mortais devem ser retirados do local para preparar o espaço para receber outros mortos. É uma verdadeira "industria da morte" onde tem processos, pessoas e produtos que compõem este mercado que explora a dor humana, muitas vezes sem oferecer sequer a dignidade que o momento carece.
Para mim, isto devia ser responsabilidade do governo, sem custos para o cidadão, assim como saúde e educação, afinal, pagamos impostos durante toda a nossa vida.
Em silêncio, para não interferir neste momento. Mas orando...
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