Vias aéreas

Passei o auge da crise da gripe suina viajando muito e em aeroportos, é curioso observar o comportamento das pessoas e muitas vezes a incoerencia de procedimentos. Muitas das pessoas antes de decolar fazem seus rituais e tem seus procedimentos para acalmar-se. No meu voo de Guarulhos a Lima estava eu sentado na última poltrona, o avião estava com sua lotação máxima quando vejo chegar para sentar-se nas poltronas imediatamente a minha frente dois rapazes por volta de 25 anos de cabelo crespo, comprido preso num rabinho de cavalo. Depois de ajeitarem suas coisas vejo um deles ficar de pé e ir ao banheiro, quando voltou estava ajeitando um kippa na sua cabeça, depois o vejo ajeitar sobre seus ombros um pano branco com algumas inscrições em azul, a seguir retira umas caixinhas pretas uma das quais amarra no seu braço esquerdo, com uma tira comprida que amarrou até sua mão, a outra amarrou na sua testa. Numa fração de segundo pensei... e se se trata de um terrorista que vai explodir o avião? Logo reparei umas estrelas de Davi desenhadas no pano que ele usava a semelhança de um chale. Ele começou a ler uns livros e a balançar seu corpo, estava orando, lendo, pegou um pergaminho, depois concluiu seu ritual. guardou suas caixinhas, seus apetrechos e se sentou. Fiquei pensando na cena e me lembrei de uma passagem bíblica "E as atarás como sinal na tua mão e serão por filactérios entre teus olhos". ( Deut.VI:8) Procurando na internet no site http://www.chabad.org.br/ descobri a explicação do mistério.

Essa caixinhas são denominadas Tefilin é reminescente da palavra Tefilá (prece).

Consiste em duas pequenas caixas quadradas de couro de um animal casher, permitidos para consumo. Devem formar um quadrado perfeito e as tiras de couro devem ser pintadas de preto, sem qualquer falha. Dentro de cada caixa encontram-se escritos em pergaminho (que também é feito de um animal casher), quatro parágrafos da Torá.

A Torá apenas nos diz que devemos "amarrá-los sobre a mão e devem ser como lembrança entre os olhos". Os detalhes de como devem ser escritos, preparados, encaixados foram transmitidos através da Tradição Oral, a partir de Moshê (Moshé) que recebeu todos os detalhes do procedimento diretamente de D'us, até que foram anotados pelos sábios na Mishná, no Talmud e no Shulchan Aruch, para que não fossem perdidos.

As caixinhas são chamadas de "de-cabeça"- shel rosh "e "de-mão"- shel yad.

A caixinha "de-mão" é colocada sobre o braço esquerdo de maneira a ficar encostada junto ao coração, sede das emoções, com a correia de couro suspensa sendo enrolada na mão esquerda, bem como no dedo médio. Tem uma única divisão com as passagens da Torá em um só pergaminho.

A "de-cabeça" é colocada acima da testa, de maneira a pousar sobre o cérebro. Contém quatro divisões com pergaminhos sobre os quais estão escritas quatro passagens da Torá.

A Torá descreve Tefilin como um sinal de envolvimento do indivíduo expressando seus sentimentos básicos de identificação e valores judaicos.

Os Tefilin são colocados no braço, junto ao coração e sobre a cabeça a partir do momento em que o menino completa 13 anos, seu bar- mitsvá. Isto significa a ligação dos poderes emocionais e intelectuais a serviço de D'us.

As tiras, estendendo-se do braço para a mão e da cabeça às pernas significam a transmissão da energia intelectual e emocional para as mãos e os pés, simbolizando sentimento e ação.

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