Profissionais da Morte
As pessoas se amontoavam numa pequens sala com um forte cheiro de cigarro, apesar de ser um local de atendimento ao público um homem que parecia ser o chefe do pessoal fumava compulsivamente um cigarro atrás do outro manifestando um alto nível de stress. Na sala ao lado havia um "Show room" de caixões onde as pessoas que iam ao cartório 24 horas já saiam com "pacote completo", certamente por esse "serviço" deve existir uma comissão por vendas que pelo volume de pessoas que davam entrada à papelada não seria nada desprezível. O funcionário que atendia as pessoas falava em valores e friamente seguia com sua rotina.
Chegando ao hospital para tratar do falecimento da paciente os parentes foram atendidos por uma jovem que deixava tranparecer humanidade fazendo seu trabalho de uma forma atenciosa e paciente, ela disse que teriam que ir a esse tal cartório. Já no carro sobrecarregado de tristeza me perguntava porque tem que haver tanta burocracia?. As coisas não poderiam ser mais fáceis? afinal casos de morte são tantos que penso que esse doloroso processo que muitas vezes os parentes tem que enfrenter poderia ser minimizado pelas autoridades.
Por volta de 22 h o corpo chegou a velório, as pessoas ansiosas entraram à sala onde o caixão estava. O funcionário estava arrumando as flores, e quando os parentes entraram foram convidados delicadamente por ele a se retirarem para ele fazer o seu trabalho em paz, disse que ele chamaria a pessoa da limpeza e depois poderiam entrar para ver como havia ficado seu trabalho. Nem bem ele havia chamado a moça para limpar o resto de flores e folhas espalhadas pelo chão os parentes ansiosos entraram, a moça da limpeza não pediu para ninguém se retirar mas a sua maneira tentou dar conforto conversando e acolhendo às pessoas enquanto fazia o seu trabalho.
Os parentes ficaram a noite toda no velório de manha chega o pastor traz a mensagem e vai embora, a cerimonia estava marcada para as 13 h. Fiquei me perguntando, se fosse uma pessoa importante que houvesse falecido seria da mesma forma? A rotina de lidar com o sofrimento não pode fazer com que haja uma "burocratização" de atitudes?.
O homem com uniforme azul estava na porta do velório aguardando, pediu as guias e deu as instruções, o caixão foi fechado e carregado pelas pessoas até o carrinho, para os envolvidos tudo isso tinha um especial significado, para ele era apenas mais um corpo. Finalmente o caixãochegou perto do local onde outro funcionário pediu os papéis e o caixão pode ser carregado até o local pelos parentes. Ali outros dois estavam prontos para depositar a urna numa cova de mais ou menos um metro de profundidade, três pás rápidamente cobriram o caixão de terra, misturada à terra haviam restos de outros caixões que outrora ali haviam sido depositados.
As pessoas que lidam com a morte por profissão perdem a noção do sofrimento com que estão lidando. Eles vem apenas números, guias, vias sem sequer perceber que por trás de tudo isso tem pessoas sofrendo, corações quebrantados que precisam de mais atenção. Penso que essas profissões que lidam com o sofrimento do ser humano deviam ser encaradas de outra forma.
Pensamentos e ilustrações veja tambem em http://fotolog.com/leopolddo
Chegando ao hospital para tratar do falecimento da paciente os parentes foram atendidos por uma jovem que deixava tranparecer humanidade fazendo seu trabalho de uma forma atenciosa e paciente, ela disse que teriam que ir a esse tal cartório. Já no carro sobrecarregado de tristeza me perguntava porque tem que haver tanta burocracia?. As coisas não poderiam ser mais fáceis? afinal casos de morte são tantos que penso que esse doloroso processo que muitas vezes os parentes tem que enfrenter poderia ser minimizado pelas autoridades.
Por volta de 22 h o corpo chegou a velório, as pessoas ansiosas entraram à sala onde o caixão estava. O funcionário estava arrumando as flores, e quando os parentes entraram foram convidados delicadamente por ele a se retirarem para ele fazer o seu trabalho em paz, disse que ele chamaria a pessoa da limpeza e depois poderiam entrar para ver como havia ficado seu trabalho. Nem bem ele havia chamado a moça para limpar o resto de flores e folhas espalhadas pelo chão os parentes ansiosos entraram, a moça da limpeza não pediu para ninguém se retirar mas a sua maneira tentou dar conforto conversando e acolhendo às pessoas enquanto fazia o seu trabalho.
Os parentes ficaram a noite toda no velório de manha chega o pastor traz a mensagem e vai embora, a cerimonia estava marcada para as 13 h. Fiquei me perguntando, se fosse uma pessoa importante que houvesse falecido seria da mesma forma? A rotina de lidar com o sofrimento não pode fazer com que haja uma "burocratização" de atitudes?.
O homem com uniforme azul estava na porta do velório aguardando, pediu as guias e deu as instruções, o caixão foi fechado e carregado pelas pessoas até o carrinho, para os envolvidos tudo isso tinha um especial significado, para ele era apenas mais um corpo. Finalmente o caixãochegou perto do local onde outro funcionário pediu os papéis e o caixão pode ser carregado até o local pelos parentes. Ali outros dois estavam prontos para depositar a urna numa cova de mais ou menos um metro de profundidade, três pás rápidamente cobriram o caixão de terra, misturada à terra haviam restos de outros caixões que outrora ali haviam sido depositados.
As pessoas que lidam com a morte por profissão perdem a noção do sofrimento com que estão lidando. Eles vem apenas números, guias, vias sem sequer perceber que por trás de tudo isso tem pessoas sofrendo, corações quebrantados que precisam de mais atenção. Penso que essas profissões que lidam com o sofrimento do ser humano deviam ser encaradas de outra forma.
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